Novo endereço

8 maio

Foi bom enquanto durou. Encerro aqui as atividades do blog Miojo, que me deu muitas alegrias, e convido vocês para conhecer meu novo blog “Epifania –Por uma vida fora de série”:  www.epifaniarosanequeiroz.wordpress.com

Espero vocês!

Rosane

Só no Sá

12 mar
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“Está fazendo um dia de sol. A praia estava cheia de um vento bom e de uma liberdade. E eu estava só. Sem precisar de ninguém.” O trecho do livro Água Viva, de Clarice Lispector, caiu poeticamente no meu colo naquele fim de tarde rosé no Leblon. Isso depois de um dia inteiro de contemplação, em que andei pelo calçadão, mirei e namorei o morro Dois Irmãos, que também poderia se chamar Dois Amantes, pela maneira íntima como as pedras se encaixam. Há muito tempo eu não ficava completamente só em uma cidade que não a minha. Tinha esquecido de como era a minha própria companhia. À noite, o combinado seria encontrar uma amiga para jantar. Mas por algum motivo cósmico nos desencontramos. O restaurante, reservado para duas, estava lá. E não era um restaurante qualquer. Era o “Sá”, dentro do hotel Miramar, ícone de uma Copacabana cheia de glamour, recém-repaginado e com chef novo no comando. Vou ou não vou? Tentei mais duas amigas, mas as duas estavam fora do ar ou fora do Rio bem naquele fim de semana. “Se Anália não quiser ir eu vou só”, lembrei do antigo hit de Dorival Caymmi, já que a cidade estava em clima de pré-Carnaval. E encarei todas (ou quase) as questões que sente uma mulher jantando sozinha. A solidão é uma mulher só em um restaurante de hotel, pensei comigo (oras, com quem mais?), embora existam muitas e muitas pessoas jantando sozinhas em restaurantes e hotéis pelo mundo. Para mim, contudo, confesso, não é confortável. Mas “cheguei chegando”, arrumada, sorridente. A hostess me indicou a mesa para dois e eu disse no tom mais bem resolvido que pude: “Minha amiga não vem, mas eu vim”. O lugar de canto, com parede de vidro e vista para o calçadão de Copacabana, me acolheu lindamente. Fui recebida com uma taça de espumante. Tin-tin! O restaurante estava tranquilo, com uma mesa ocupada aqui e ali, um casal de meia idade, outra mesa com uma turma que me pareceu ligada ao esporte. Uma vantagem de estar sozinha é ser logo adotada pelos garçons e pelo maitre –mas com um atendimento sob medida, nem demais nem de menos. O jovem chef Paulo Góes também apareceu para dar um alô e me ajudou na escolha: na entrada, fiquei entretida entre o polvo confit e as vieiras servidas com creme de couve flor, chips de batata doce e vinagrete de maracujá. A segunda opção chegou à mesa feito obra de arte (na foto acima). No prato principal, mudei para carne. Não resisto a um carneiro. Acertei no carré grelhado, com molho de tomilho, servido com polenta e minicebolas caramelizadas, e um vinho tinto dos deuses. Tinha pedido ao chef para ele voltar e conversar um pouquinho. Então entendi tudo: Paulo Góes trabalhou no Mugaritz, na Espanha (uma casa com 3 estrelas no Michelin e na lista dos melhores do mundo), depois com Alex Atala, no DOM, e também com Claude Troisgros, no Olympe, sem contar a herança culinária da mãe –a chef Maria Victória do Bar do D’Hotel, no hotel Marina.  Claro que uma boa companhia faria toda a diferença. Mas, sozinha, apreciei os detalhes de cada prato, até a sobremesa –um delicado mix de docinhos, com muito chocolate, capaz de arrematar qualquer carência. O jantar foi tão agradável que quase me esqueci que estava só. Afinal, jantei como uma rainha. E dormi como um anjo.
 
Va lá: Sá Restaurante, Hotel Miramar by Windsor, Avenida Atlântica, 3668 – Copacabana, Rio de Janeiro, tel (21) 2195-6200.

Comédia romântica

5 ago

DVD

Detesto datas comemorativas”, diz a atriz Heloísa Perissé, ao telefone, revelando algo em comum com Débora, sua personagem no filme Odeio o Dia dos Namorados. “Esses dias marcados ajudam as pessoas a criar um ritual, a pensar em um presente, mas todo dia é dia de namorar”, defende ela, casada há 11 anos com o diretor de TV Mauro Farias. O longa, lançado em DVD recentemente, conta a história de uma publicitária que colocou a carreira no topo das prioridades e deixou de lado a vida pessoal. Sozinha, a durona Débora encara o Dia dos Namorados com desdém, mas é obrigada a se envolver com a data quando precisa criar uma campanha para os apaixonados –e descobre que seu cliente é Heitor (Daniel Bonaventura), um ex-namorado de quem levou um fora fenomenal. Mas o roteiro vai além da comédia romântica. “É uma história sensível e intrigante, porque a personagem ganha algo que todo mundo gostaria: uma segunda chance”, diz Heloísa. A virada acontece quando Débora sofre um acidente que a leva a rever seu histórico amoroso, guiada pelos conselhos do amigo Gilberto (Marcelo Barmack), que tenta fazer com que ela repense a vida e descubra o que as pessoas realmente acham dela. Heloísa diz que conhece muitas “Déboras”, e dá um palpite: “É preciso reequilibrar a relação com o trabalho e resgatar nosso lado princesa. Ser ‘mulherzinha’ é muito bom!”, assume a atriz, com uma sonora gargalhada. Com direção de Roberto Santucci, o mesmo de Até que a Sorte nos Separe e De Pernas Para o Ar 2 (ambos de 2012), Odeio o Dia dos Namorados promete ser um bom programa para curtir com –ou sem—companhia.

Omelete sem mistério

15 mar

fachada
Atire o primeiro ovo quem nunca foi salvo por uma omelete fumegante, naqueles dias em que não há nada na geladeira, além de um pouco de manteiga e uns ovos solitários. Simples e honesta, apenas com cebola picadinha, ou incrementada com recheios imaginativos, a omelete é a refeição possível quando a fome pede urgência. Como toda receita, por mais simples que pareça, tem seus segredos, lá fui eu conferir o restaurante “Oh!melete”, especializado na iguaria que inspirou seu nome. O lugar pequeno, com fachada de bistrô, numa esquina das Perdizes, é aconchegante e despretensioso, e o serviço é simpático na medida, coisa rara hoje em dia. O salão possui um painel temático divertido, com ovos, galinhas e afins, pintado pelo grafiteiro Loro Verz. Os sabores da omelete, ao todo 20, vão do mais básico, com cebola, bacon e batata, até o de salmão ou com patê de fígado e cebola caramelizada. Para acompanhar, legumes grelhados e saladinhas customizadas. O diferencial é que os ovos são orgânicos e tudo é feito no capricho. A versão com shitake realmente me fez exclamar: “ohhhmelete!”. Tanto que pedi a receita para compartilhar aqui:
“Bata 3 ovos e leve a uma frigideira teflon com pouca manteiga derretida. Taí um dos segredinhos: não exagerar na dose da manteiga. Em uma vasilha à parte, misture  o recheio de cogumelos shitake, queijo de cabra (ou branco) e cebolinha picada. Com uma espátula, vá desgrudando a massa da beira da frigideira até ela soltar totalmente. Assim  que ficar no ponto ideal, despeje o recheio e dobre a omelete ao meio. Espere esquentar e dourar a gosto e sirva.”
Em tempo: as sobremesas são uma tentação à parte, com destaque para o suflê de chocolate e a banana flambada com sorvete de creme. Durante a semana, o restaurante também oferece um menu executivo atraente, em que o ovo reina em outras receitas clássicas como espaguete à carbonara.
E a sua omelete favorita, como é?

Oh!melete: Rua João Ramalho,  766, Perdizes, tel. (11) 3875.2550, http://www.ohmelete.com.br

A cebola está frita!

19 fev

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Vi essa receita de arroz com lentilhas à moda síria na Chef TV e fiquei com água na boca. Só faltava o cheirinho da cebola fritando sair pela tela! Quando criança, eu gostava de comer cebola assim, só dourada no óleo, com pão. Costumo deixar a TV ligada nesse canal enquanto trabalho, o que me dá uma fome terrível. Nesse dia, dona Leila Youssef, do restaurante Arábia, ensinava a fazer o autêntico arroz com lentilhas, ou “mjadra”, prato marroquino de sucesso no seu restaurante. A receita me chamou a atenção pelos ingredientes simples: quem não tem em casa umas cebolas e um pouco de arroz? Lentilhas, ok, nem sempre, mas basta ir à esquina. Eu só não tinha a pimenta síria (indispensável, no caso), mas me animei em ir comprar. Nada mais chato do que aquelas receitas que você olha e pensa. “que legal, vou fazer”, mas logo vem na lista uma castanha lilás do Himalaia, um molho de rabo de peixe do Vietnã ou um queijo estranho que você nunca viu, “tudo muito fácil de achar em lojas de importados”. Bem, a pimenta síria eu achei no mercadinho mais perto e logo me pus a seguir as dicas de dona Leila, em três etapas:

Primeiro passo: fritar uma cebola cortada em cubos, até dourar e ficar meio torradinha nas pontas. Depois colocar 1 xícara de lentilhas lavadas e cobrir com 3 medidas iguais de água. Acrescentar uma colher de sopa rasa da pimenta síria (perfumadíssima!), uma folha de louro e sal a gosto.

Segundo passo: enquanto a lentilha cozinha, em outra panela, dourar um pouco de alho picadinho e refogar uma xícara de arroz. Acrescentar ao caldo da lentilha, que á essa hora já deve estar borbulhando, colocar mais pimenta síria a e sal a gosto. Eu achava que lentilha demorava à beça pra amolecer, mas não, ela cozinha rapidinho.

Terceiro passo: esse dá um pouco mais de trabalho, mas para quem ama cebolas, como eu, o cheirinho da cebola fritando é um deleite. O lance é cortar duas cebolas médias em tiras e fritar em óleo bem quente, mergulhando-as numa frigideira funda, até que fiquem crocantes. Outra dica: não fique mexendo, pois elas soltam mais água. Quando ficarem douradinhas, escorra e reserve numa travessa forrada com papel absorvente (importantíssimo!), para sugar o excesso de óleo.

Final feliz: quando a lentilha e o arroz estiverem cozidos, juntinhos e misturados, coloque-os numa travessa e cubra com as cebolas fritas. Fica divino! A pimenta síria dá o sabor diferente e o toque perfumado. Um prato perfeito para acompanhar um peixe ou carne grelhada, por exemplo.

Gostou? Anote os ingredientes:

1 xícara de chá de lentilha, 1 xícara de chá de arroz cru, 1 cebola média cortada em cubos, seu azeite ou óleo preferido, 2 colheres de sopa de pimenta síria, folhas de louro, mais 2 cebolas médias cortadas em tiras finas, sal a gosto.

Se fizer, me conta depois como ficou?

Piscinas possíveis

18 jan

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Dá para ter uma piscina para chamar de sua –ao menos por um dia –em São Paulo. Dos espaços públicos ao day use de hotéis de luxo, existem opções refrescantes para todos os estilos e bolsos. O complexo do Pacaembu (tel. 3664-4650) oferece uma semi-olímpica climatizada. Já o Clube Escola Cambuci (tel. 3209-0995), ou “balneário”, como é conhecido no bairro, possui uma semi-olímpica (exclusiva para aulas), uma infantil e outra em forma de feijão. Ambos os clubes são da prefeitura. Para mergulhar gratuitamente basta ir a secretaria levando cópia do RG, comprovante de residência, e fotos para fazer uma carteirinha. Se a farra inclui crianças, o Sesc Itaquera (www.sescsp.org.br/sesc, 2523-9200) é o paraíso aquático: são 5 mil metros quadrados de espelho d’água, cascata, borbulhas, e oito tobogãs. Funciona de quarta a domingo, das 9hs às 17, com ingressos de R$ 3 a 7 para visitantes –mais exame médico de R$ 6. Em Santa Cecília, uma opção divertida é o tradicional Clube Piratininga (www.clubepiratininga.com.br, tel. 3825-1211). Pagando uma entrada de R$ 20 por pessoa, mais um exame médico de R$ 30, é possível desfrutar de duas piscinas (adulto e infantil) por um dia, com vista privilegiada, do alto do prédio, e serviço de bar. Entre os hotéis que oferecem day use, o Grand Hyatt (www.saopaulo.grand.hyatt.com.br, tel. 0800-8801234) é um dos mais bonitos e acessíveis (foto acima). A taxa de R$ 100 por pessoa dá acesso a piscina com jardim e cascata (que abafa o barulho da avenida Nações Unidas) e ao spa com pisicina aquecida, sauna e fitness center. O hóspede acidental tem direito a armário, tollhas, chinelos, e 20% de desconto nos tratamentos do spa. O Estanplaza Ibirapuera (www.estanplaza.com.br, tel. 5095-2800) está na categoria boutique e tem uma simpática piscina na cobertura. O day use custa R$ 263 por pessoa ou R$ 308 por casal, e dá direito a utilizar apartamento, sauna, academia e sala de leitura. Na mesma região, o luxuoso Mercure Parque do Ipirapuera (www.mercure.com, tel. 3201-0800, http://www.sofitel.com.br) tem uma taxa de 405 reais por casal e aceita uma criança de até 12 anos, para uso de apartamento, sauna, academia e quadra de tênis. No Blue Tree Towers Morumbi (www.bluetree.com.br, tel. 5187-1200), o preço começa em R$ 546 por casal mais criança de até 6 anos, pelo uso das duas piscinas na cobertura: uma com deck para e outra coberta e aquecida. Inclui apartamento, sauna, hidro e academia. O período de day use dos hotéis varia entre 6 e 8 horas e o agendamento depende da disponibilidade, o que não é difícil, já que no verão São Paulo vira um deserto. Encontre seu oásis!

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Meu novo drink favorito

7 dez

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Está tudo lá: as toalhas xadrezinhas vermelho e branco, os estofados vermelhos, os painéis de espelhos e as dezenas de detalhes que compõem a atmosfera inconfundível do P.J.Clarkes. A nova unidade brasileira da casa novaiorquina abriu essa semana numa esquina dos Jardins: Oscar Freire com Padre João Manuel. O “novo P.J”  segue a linha da matriz de NY e reproduz detalhes como a fachada de tijolos aparentes, os janelões e as luminárias art deco que conferem o tom dourado ao lugar que já tem um projeto bastante intimista –são apenas 35 lugares no salão e outros 15 no bar. Por falar em bar… Foi lá que, numa dessas noites de calor, eu estava decidida a pedir um clássico Dry Martini, quando o barman sugeriu algo novo: o drink Aviation # 1, também à base de gim, mas com um toque de crème de violette e licor de maraschino. “Receita resgatada dos anos 20″, me disse o barman “coach” Rafael Mariachi, que assina a carta de coquetéis. Hum. Como não resisto a uma novidade, ainda mais no capítulo coquetelaria, topei na hora –e foi amor ao primeiro gole (não resisti ao clichê). É um drinque lilás, perfumado e floral, que as mulheres em geral tendem a amar, mas não é nada doce e pode agradar meninos e meninas. Outra tentação é o Passionate Cosmopolitan, com vodka, purê de maracujá, Cointreau, cranberry e limão. Ambos impecáveis, executados pela simpática dupla de barmans Vítor e Ricardo. A carta de whiskies também supreende,  com 30 diferentes rótulos, classificados por cada região de origem e produção. No menu, tem o hamburguer premiado como melhor de SP, as batatas fritas de verdade e luxices como o Caviar Burger by Pétrossian,prato desenvolvido com a famosa marca criada em 1920, alguns anos depois da abertura do primeiro P.J. Clarke’s em 1884. A novidade custa R$ 95. Os drinques, em torno de R$ 20. Voltando ao Aviation, devo dizer que saí de lá flutuando… Mas não sem a receita do meu novo drink favorito, que compartilho aqui com vocês.

Aviation #1
60 ml de gin
15 ml de sumo de limão espremido
2 colheres de chá de licor de maraschino
8 ml de Creme de Violette ( a Monin vende no Brasil)
Casca de limão para decorar

Misture o gin, o sumo de limão e o maraschino numa coqueteleira com bastante gelo. Chacoalhe para gelar bem e sirva numa taça de cocktail. Acrescente o creme de violette. Decore a taça com uma casca ou fatia fina de limão.

Serviço completo: P.J. Clarke’s Oscar Freire – Rua Oscar Freire, 497, Tel. ( 11 ) 2579-2765 . E tem Delivery! (11) 2659-7600. http://www.pjclarkes.com.br

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