Arquivo | junho, 2012

Caldo de Frida

29 jun

ImageNesse friozinho (ao menos em São Paulo), nada como um caldo fumegante para aquecer até a alma. Eis aqui uma receitinha quente -e picante! -inspirada numa canja mexicana que vi num livro  (desculpe, não lembro o nome). Fiz uma vez e entrou para o meu repertório de receitinhas rápidas. Você vai precisar de um abacate maduro, ainda durinho. Parece estranho, mas fica delicioso. O abacate faz a vez e a textura da batata na sopa. Trata-se de uma canja dramática e diferente, que batizei assim em homenagem à pintora Fida Kahlo. Frida amava as tintas fortes, os mercados, as pimentas. Gosto de tudo isso também. Essa sopa, portanto, não tem meio termo: ame-a ou deixe-a. Tente, depois me conte.

Ingredientes (para duas porções): 2 dentes de alho, um fio de azeite, um pedaço de peito de frango (200 gramas) pré-cozido e desfiado, uma pimenta dedo-de-moça vermelha e vibrante, 1/2 litro de água, 2 ramos de coentro, meio abacate maduro, sal a gosto.

Faça assim: corte o alho miudinho, doure no azeite e acrescente o frango desfiado, a água, o sal, a pimenta cortadinha em rodelas (sem a metade das sementes), e um ramo de coentro picado. Deixe o caldo ferver até pegar gosto. Enquanto isso, corte o abacate em pequenas lâminas, em forma de meia-lua. Sirva o caldo, coberto pelas lâminas de abacate e coentro fresco picadinho (a gosto). Pode enfeitar o prato com uma linda pimenta vermelha.

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Liggero, mas nem tanto

27 jun

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Quando vi o comercial do Liggero! –macarrão que promete ficar pronto em 4 minutos no microondas– logo pensei em testar a novidade. Será um primo moderninho do bom e velho Miojo? A massa me pareceu mais consistente, por ser parafuso e não lámen, e a proposta mais civilizada. Afinal, vem num pratinho, e não em um copo, como é o caso das receitas prontas em que “basta acrescentar água”! Daí que por acaso fiquei sozinha no fim de semana. Filha viajando… Namorado longe… Fome… Preguiça de cozinhar só para mim. De repente, me vi diante do tal Liggero! na prateleira do supermercado e levei na hora. Escolhi o de tomate com manjericão, em vez de molho branco com brócolis. São apenas dois os sabores disponíveis, por ora, a R$ 2,68 cada. Ao abrir a embalagem, notei que o parafuso é menor do que o das massas comuns. Achei o formato gostoso. A instrução na embalagem é simples: adicione água até a marca indicada no pratinho, misture o tempero e ponha no microondas. Fiz. Lá pelos dois minutos começa um cheirinho bom de tomate com manjericão mas com um quê não identificado, obviamente da coisa industrializada. Ok, não vamos exigir demais, afinal, é apenas uma comidinha de emergencia. 4 minutos e pronto! Pronto? Bem, a água e o temperinho em pó tinham virado um molho com pedacinhos do tempero embolotados (acho que não mexi o suficiente) e a massa estava durinha. Por minha conta e risco, mexi de novo e acionei o micro por mais 30 segundos. Passou do ponto al dente. Para dar um toque fresco, salpiquei pimenta do reino moída na hora e parmesão. Resumo da ópera: o Liggero!, embora mais lento do que o prometido, tem lá seus defeitinhos, mas satisfaz. Chato mesmo é o pratinho “descartável”: se voce recicla o lixo, não tem como não lavar. Mas, se bater uma fome instantânea, vá lá… sou capaz de me tornar reincidente e arriscar o de molho branco com brócolis!

O dry martini perfeito

25 jun

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Uma piada diz que, se você estiver perdido na floresta, basta começar a preparar um dry martini –logo vai aparecer alguém para dizer que você está fazendo errado e mostrar a maneira certa. É que os aficionados pelo drink costumam conhecer a receita e conseguem identificar, ao primeiro gole, o dry martini perfeito. Para saber se um barman é bom, por exemplo, basta pedir este clássico. Se ele acertar, todos os coquetéis da carta estão salvos. Porque um dry martini não pode ser mais ou menos –o gim tem de ser inglês (gosto do Tanqueray), o vermute não deve ultrapassar uma gota. Se estiver aguado é pecado, mas deve ser servido super gelado. O cineasta Luis Buñuel, em sua autobiografia “Meu Último Suspiro” (Ed. Nova Fronteira), ensina a melhor receita de dry martini que já experimentei. Lendo o livro descobri a bebida, mas só provei o drink anos depois, de férias, em Paraty. Foi amor ao primeiro gole. É o único drink que não me dá sono. Logo me tornei, modéstia à parte, expert no assunto, iniciando várias amigas nas delícias do gim. Em seu livro, Buñuel fala do poder do dry martini em “ativar a imaginação”. Também é o favorito de James Bond. Trata-se de um drink simples, mas daquele tipo de simplicidade sofisticada, difícil de acertar. Há quem invente em cima da receita original, até dry martini cor-de-rosa já bebi por aí, mas o clássico é o cristalino, com uma azeitona linda no fundo da taça e nada mais. Segue aqui a receita do genial Buñuel, tal e qual ele conta no livro:

Dry martini

“O dry martini é provavelmente uma invenção americana. Compõe-se essencialmente de gim e algumas notas de vermute, de preferência de Noilly Prat. Os verdadeiros aficionados, que gostam de seu martini muito seco, chegavam ao ponto de sustentar que bastava simplesmente que um raio de sol atravessasse uma garrafa de Noilly Prat antes de atingir o copo de gim. Mas isso me parece um pouco excessivo. Outra recomendação: é preciso que o gelo utilizado esteja totalmente congelado, muito duro, para que não solte água. Nada pior que um martini aguado. Permitam aqui que dê minha receita pessoal, fruto de uma longa experiência, com a qual sempre obtive grande sucesso.

No dia anterior à vinda de meus convidados, coloco na geladeira tudo que é necessário: os copos, o gim, a coqueteleira. Tenho um termômetro que me permite verificar se o gelo está numa temperatura de mais ou menos vinte graus abaixo de zero. No dia seguinte, quando meus amigos já estão presentes, pego tudo que me é necessário. No gelo bem duro derramo primeiro algumas gotas de Noilly Prat e meia colher de café de angustura. Sacudo tudo e depois esvazio. Só conservo o gelo, que mantém vestígios muito leves dos dois perfumes, e derramo gim puro sobre esse gelo. Bato ainda um pouco e sirvo. Isso é tudo, não há nada mais além disso.”

Há quem prefira, em vez de usar a coqueteleira, apenas mexer a bebida em um copo longo com o gelo. Eu gosto de chacoalhar. “Algumas gostas de vermute”, na minha interpretação, são duas. Mínimas. Buñuel também não fala da azeitona, mas ela é essencial (sem palito, plis!). Entre os crimes que se pode cometer ao preparar um dry martini, não vale usar gim nacional, exagerar no vermute, colocar palitinho na azeitona (ficou demodè), ou pior, palitinho de plástico (um horror!), e o que mais?

Azul mágico

22 jun

Uma porta pintada de azul muda tudo. Também a adoro esse negócio de mesinha do lado de fora. Essa casa fica em Cartagena, Colômbia. Se você tem um espaço pedindo tintas fortes, que tal azul-anil?

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