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Omelete sem mistério

15 mar

fachada
Atire o primeiro ovo quem nunca foi salvo por uma omelete fumegante, naqueles dias em que não há nada na geladeira, além de um pouco de manteiga e uns ovos solitários. Simples e honesta, apenas com cebola picadinha, ou incrementada com recheios imaginativos, a omelete é a refeição possível quando a fome pede urgência. Como toda receita, por mais simples que pareça, tem seus segredos, lá fui eu conferir o restaurante “Oh!melete”, especializado na iguaria que inspirou seu nome. O lugar pequeno, com fachada de bistrô, numa esquina das Perdizes, é aconchegante e despretensioso, e o serviço é simpático na medida, coisa rara hoje em dia. O salão possui um painel temático divertido, com ovos, galinhas e afins, pintado pelo grafiteiro Loro Verz. Os sabores da omelete, ao todo 20, vão do mais básico, com cebola, bacon e batata, até o de salmão ou com patê de fígado e cebola caramelizada. Para acompanhar, legumes grelhados e saladinhas customizadas. O diferencial é que os ovos são orgânicos e tudo é feito no capricho. A versão com shitake realmente me fez exclamar: “ohhhmelete!”. Tanto que pedi a receita para compartilhar aqui:
“Bata 3 ovos e leve a uma frigideira teflon com pouca manteiga derretida. Taí um dos segredinhos: não exagerar na dose da manteiga. Em uma vasilha à parte, misture  o recheio de cogumelos shitake, queijo de cabra (ou branco) e cebolinha picada. Com uma espátula, vá desgrudando a massa da beira da frigideira até ela soltar totalmente. Assim  que ficar no ponto ideal, despeje o recheio e dobre a omelete ao meio. Espere esquentar e dourar a gosto e sirva.”
Em tempo: as sobremesas são uma tentação à parte, com destaque para o suflê de chocolate e a banana flambada com sorvete de creme. Durante a semana, o restaurante também oferece um menu executivo atraente, em que o ovo reina em outras receitas clássicas como espaguete à carbonara.
E a sua omelete favorita, como é?

Oh!melete: Rua João Ramalho,  766, Perdizes, tel. (11) 3875.2550, http://www.ohmelete.com.br

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A cebola está frita!

19 fev

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Vi essa receita de arroz com lentilhas à moda síria na Chef TV e fiquei com água na boca. Só faltava o cheirinho da cebola fritando sair pela tela! Quando criança, eu gostava de comer cebola assim, só dourada no óleo, com pão. Costumo deixar a TV ligada nesse canal enquanto trabalho, o que me dá uma fome terrível. Nesse dia, dona Leila Youssef, do restaurante Arábia, ensinava a fazer o autêntico arroz com lentilhas, ou “mjadra”, prato marroquino de sucesso no seu restaurante. A receita me chamou a atenção pelos ingredientes simples: quem não tem em casa umas cebolas e um pouco de arroz? Lentilhas, ok, nem sempre, mas basta ir à esquina. Eu só não tinha a pimenta síria (indispensável, no caso), mas me animei em ir comprar. Nada mais chato do que aquelas receitas que você olha e pensa. “que legal, vou fazer”, mas logo vem na lista uma castanha lilás do Himalaia, um molho de rabo de peixe do Vietnã ou um queijo estranho que você nunca viu, “tudo muito fácil de achar em lojas de importados”. Bem, a pimenta síria eu achei no mercadinho mais perto e logo me pus a seguir as dicas de dona Leila, em três etapas:

Primeiro passo: fritar uma cebola cortada em cubos, até dourar e ficar meio torradinha nas pontas. Depois colocar 1 xícara de lentilhas lavadas e cobrir com 3 medidas iguais de água. Acrescentar uma colher de sopa rasa da pimenta síria (perfumadíssima!), uma folha de louro e sal a gosto.

Segundo passo: enquanto a lentilha cozinha, em outra panela, dourar um pouco de alho picadinho e refogar uma xícara de arroz. Acrescentar ao caldo da lentilha, que á essa hora já deve estar borbulhando, colocar mais pimenta síria a e sal a gosto. Eu achava que lentilha demorava à beça pra amolecer, mas não, ela cozinha rapidinho.

Terceiro passo: esse dá um pouco mais de trabalho, mas para quem ama cebolas, como eu, o cheirinho da cebola fritando é um deleite. O lance é cortar duas cebolas médias em tiras e fritar em óleo bem quente, mergulhando-as numa frigideira funda, até que fiquem crocantes. Outra dica: não fique mexendo, pois elas soltam mais água. Quando ficarem douradinhas, escorra e reserve numa travessa forrada com papel absorvente (importantíssimo!), para sugar o excesso de óleo.

Final feliz: quando a lentilha e o arroz estiverem cozidos, juntinhos e misturados, coloque-os numa travessa e cubra com as cebolas fritas. Fica divino! A pimenta síria dá o sabor diferente e o toque perfumado. Um prato perfeito para acompanhar um peixe ou carne grelhada, por exemplo.

Gostou? Anote os ingredientes:

1 xícara de chá de lentilha, 1 xícara de chá de arroz cru, 1 cebola média cortada em cubos, seu azeite ou óleo preferido, 2 colheres de sopa de pimenta síria, folhas de louro, mais 2 cebolas médias cortadas em tiras finas, sal a gosto.

Se fizer, me conta depois como ficou?

La vie en rosé

21 out

As comidinhas e os vinhos do Sul da França, mais precisamente da região de Languedoc-Roussillon, estão servidos em grande estilo durante o Festival Sud de France, que está acontecendo em São Paulo. O evento, que começou dia 15 e vai até 25 de outubro conta com alguns dos mais famosos restaurantes franceses da cidade: Charlô, Le Jazz, Vino! e Le Vin Bistrô são alguns que elaboraram menus especiais inspirados no evento. O Le Vin, por exemplo, oferece um menu fechado a R$ 88 por pessoa. O prato principal é o Cassoulet Traditionel, com Moules à la Provençale na entrada e Patisserie Le Vin na sobremesa. Para acompanhar, a opção inclui uma taça do rosé Le Hauts (2011). Vale lembrar que o vinho rosé é uma das maravilhas do Sul da França. No Brasil, foi renegado e rotulado como ruim por muito tempo, porque por aqui só chegavam rótulos duvidosos, mas agora  vem ganhando cada vez mais espaço no paladar dos paulistanos e nas cartas mais nobres. Perfeito para os dias quentes, vai bem geladinho e tem a versatilidade de acompanhar carnes brancas ou vermelhas. Em agosto deste ano, tive o privilégio de conhecer alguns dos vilarejos mais bonitos do Sul da França. Se eu fechar os olhos agora, posso sentir o cheiro da lavanda,  o gosto dos rosés da Provence (da região de Côte du Rhone), o sabor único dos queijos,  pães, azeites, azeitonas e da carne de cordeiro mais gostosa que já provei. Só de lembrar dá água na boca! Para saber mais sobre o festival, as degustações de vinhos e os restaurantes participantes, acesse: http://www.festival-suddefrance.com

Ata-me!

9 out

Image“Personalidad, alma y atrevimiento”. Só pela definição eu já gostei do Restaurante Almodóvar, novidade da rua Pinheiros. Resolvi conferir e o lugar é mesmo caliente como os filmes do diretor espanhol. Na entrada, uma parede carmim com 100 pratos brancos criam o efeito poá que se repete nos guardanapos de bolinhas inspirados nos vestidos de flamenco e em pequenos espelhos redondos aqui e ali. Lá dentro, fotos gigantes de dançarinos e leques entre cortinas de veludo vermelho e lustres de cristal. Vermelho, preto e turquesa dão o tom ao ambiente que, com as nuances da iluminação, criam o clima para degustar vinhos, tapas e pratos da culinária espanhola. Croquetes de jamón, tigres (frutos do mar empanados e servidos na concha, levemente picantes) e as tradicionais tortillas de batata são algumas delícias que chegam fumegantes e impecáveis à mesa. Os preços das tapas ficam entre R$ 8 e R$ 30 (individuais e para compartir) e os vinhos são bastante acessíveis –boa surpresa para quem anda com medo de assaltos gastronômicos em São Paulo. O atendimento simpático e a trilha sonora –do cante flamenco a canções contemporâneas espanholas embalam a casa desenhada pelo arquiteto Ricardo Velasco, um dos cinco sócios. Nenhum deles com experiencia anterior em restaurante, o que dá ao lugar algo de frescor e espontaneidade. Ricardo, diga-se, também é uma simpatia. “Fale com Ele”. Ainda não provei os pratos da cocina espanhola (parece que a paella é sensacional), mas espero “Volver”. Ricardo planeja domingueiras com baile flamenco –olé! A conta, que charme, vem “De Salto Alto” –em um sapato vermelho atrevido. Donde?Restaurante Almodóvar, rua dos Pinheiros, 274 (ao lado do Le Jazz), tel. 11-3062-4455, www.restaurantealmodovar.com

Gnocchi da sorte

29 jul

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Dia 29. Dia de comer nhoque! Eu adoro, principalmente a receita original, com molho de tomate ao sugo e manjericão fresquinho. Gosto também quando a massa é de espinafre. Deixo aqui como sugestão de receita do Isolda Restaurante, recém aberto na Oscar Freire, nos Jardins (www.isoldarestaurante.com.br). Para quem quiser aproveitar a noite do domingo de um jeito especial… ou simplesmente, como eu, tentar reproduzir a receita dia desses, 29 ou não. Ah, sem esquecer de colocar uma nota de dinheiro debaixo do prato –conforme a tradição, para dar sorte! E você, como gosta do “seu” nhoque?

Gnocchi ao molho de queijo taleggio

Rendimento: 4 porções

Dica: prepare o molho antes de cozinhar o gnocchi!

 Ingredientes

½ kg de queijo taleggio (queijo elaborado com queijo de cabra)

150 ml de leite

1/2 litro de creme de leite

100g de manteiga sem sal

Amasse o queijo taleggio e misture o leite quente aos poucos.

Adicione o creme de leite e continue mexendo. Adicione 100 g de manteiga s/ sal e aguarde.

Junte o molho ao gnocchi e sirva imediatamente.

Fetuccine com camarão

9 jul

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Estou em Paraty. Aqui, sempre faço essa massinha, coisa de 10 minutos. Primeiro que tem camarão na esquina. Ir a peixaria, escolher, pedir para limpar limpinho, esperar vendo a vida passar, tudo faz parte do programa. Em São Paulo ou outra cidade grande, a dica é ir a feira, feliz da vida. Depois, é a coisa mais fácil e gostosa de fazer. Vou dar a receita para uma pessoa. Para dois, basta dobrar os ingredientes. São eles: 10 camarões médios limpos, sem rabo e sem cabeça, um fio de azeite, dois dentes de alho picadíssimos, meio tomate picadinho, coentro picadinho, sal e pimenta a gosto. Faça assim: enquanto a água da massa ferve, pique os ingredientes. Ao colocar o fetuccine na água, comece com os camarões, porque o preparo é rapidinho. Doure o alho no azeite, e coloque os camarões, mexendo aqui e ali, por 3 a 4 minutos. Quando eles estiverem cor-de-rosa, acrescente o tomate, o sal e a pimenta, e deixe mais 5 minutos, no máximo. O tempo do fetuccine ficar al dente. E os camarões também. Porque, como a massa, se cozinham além do ponto, ficam borrachudos. Por fim, salpique o coentro para dar aquele toque tropical (o da foto acima é de verdade, eu que fiz). Tem um vinho geladinho aí? Fechou. Bom apetite!

Caldo de Frida

29 jun

ImageNesse friozinho (ao menos em São Paulo), nada como um caldo fumegante para aquecer até a alma. Eis aqui uma receitinha quente -e picante! -inspirada numa canja mexicana que vi num livro  (desculpe, não lembro o nome). Fiz uma vez e entrou para o meu repertório de receitinhas rápidas. Você vai precisar de um abacate maduro, ainda durinho. Parece estranho, mas fica delicioso. O abacate faz a vez e a textura da batata na sopa. Trata-se de uma canja dramática e diferente, que batizei assim em homenagem à pintora Fida Kahlo. Frida amava as tintas fortes, os mercados, as pimentas. Gosto de tudo isso também. Essa sopa, portanto, não tem meio termo: ame-a ou deixe-a. Tente, depois me conte.

Ingredientes (para duas porções): 2 dentes de alho, um fio de azeite, um pedaço de peito de frango (200 gramas) pré-cozido e desfiado, uma pimenta dedo-de-moça vermelha e vibrante, 1/2 litro de água, 2 ramos de coentro, meio abacate maduro, sal a gosto.

Faça assim: corte o alho miudinho, doure no azeite e acrescente o frango desfiado, a água, o sal, a pimenta cortadinha em rodelas (sem a metade das sementes), e um ramo de coentro picado. Deixe o caldo ferver até pegar gosto. Enquanto isso, corte o abacate em pequenas lâminas, em forma de meia-lua. Sirva o caldo, coberto pelas lâminas de abacate e coentro fresco picadinho (a gosto). Pode enfeitar o prato com uma linda pimenta vermelha.

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