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Meu novo drink favorito

7 dez

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Está tudo lá: as toalhas xadrezinhas vermelho e branco, os estofados vermelhos, os painéis de espelhos e as dezenas de detalhes que compõem a atmosfera inconfundível do P.J.Clarkes. A nova unidade brasileira da casa novaiorquina abriu essa semana numa esquina dos Jardins: Oscar Freire com Padre João Manuel. O “novo P.J”  segue a linha da matriz de NY e reproduz detalhes como a fachada de tijolos aparentes, os janelões e as luminárias art deco que conferem o tom dourado ao lugar que já tem um projeto bastante intimista –são apenas 35 lugares no salão e outros 15 no bar. Por falar em bar… Foi lá que, numa dessas noites de calor, eu estava decidida a pedir um clássico Dry Martini, quando o barman sugeriu algo novo: o drink Aviation # 1, também à base de gim, mas com um toque de crème de violette e licor de maraschino. “Receita resgatada dos anos 20″, me disse o barman “coach” Rafael Mariachi, que assina a carta de coquetéis. Hum. Como não resisto a uma novidade, ainda mais no capítulo coquetelaria, topei na hora –e foi amor ao primeiro gole (não resisti ao clichê). É um drinque lilás, perfumado e floral, que as mulheres em geral tendem a amar, mas não é nada doce e pode agradar meninos e meninas. Outra tentação é o Passionate Cosmopolitan, com vodka, purê de maracujá, Cointreau, cranberry e limão. Ambos impecáveis, executados pela simpática dupla de barmans Vítor e Ricardo. A carta de whiskies também supreende,  com 30 diferentes rótulos, classificados por cada região de origem e produção. No menu, tem o hamburguer premiado como melhor de SP, as batatas fritas de verdade e luxices como o Caviar Burger by Pétrossian,prato desenvolvido com a famosa marca criada em 1920, alguns anos depois da abertura do primeiro P.J. Clarke’s em 1884. A novidade custa R$ 95. Os drinques, em torno de R$ 20. Voltando ao Aviation, devo dizer que saí de lá flutuando… Mas não sem a receita do meu novo drink favorito, que compartilho aqui com vocês.

Aviation #1
60 ml de gin
15 ml de sumo de limão espremido
2 colheres de chá de licor de maraschino
8 ml de Creme de Violette ( a Monin vende no Brasil)
Casca de limão para decorar

Misture o gin, o sumo de limão e o maraschino numa coqueteleira com bastante gelo. Chacoalhe para gelar bem e sirva numa taça de cocktail. Acrescente o creme de violette. Decore a taça com uma casca ou fatia fina de limão.

Serviço completo: P.J. Clarke’s Oscar Freire – Rua Oscar Freire, 497, Tel. ( 11 ) 2579-2765 . E tem Delivery! (11) 2659-7600. http://www.pjclarkes.com.br

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Desce redondo?

28 nov

Eu aqui tentando parar com aquela cervejinha gelada no fim do dia, e vem a novidade: sorvete de Skol! Em edição limitada, a partir de janeiro de 2013, o sorvete vai ser vendido em bares de São Paulo e do Rio de Janeiro, além dos quiosques da Skol na orla carioca. A ideia de algo supergelado com sabor de cerveja parece boa. Será?

ps: gostei da pazinha em forma de abridor!

La vie en rosé

21 out

As comidinhas e os vinhos do Sul da França, mais precisamente da região de Languedoc-Roussillon, estão servidos em grande estilo durante o Festival Sud de France, que está acontecendo em São Paulo. O evento, que começou dia 15 e vai até 25 de outubro conta com alguns dos mais famosos restaurantes franceses da cidade: Charlô, Le Jazz, Vino! e Le Vin Bistrô são alguns que elaboraram menus especiais inspirados no evento. O Le Vin, por exemplo, oferece um menu fechado a R$ 88 por pessoa. O prato principal é o Cassoulet Traditionel, com Moules à la Provençale na entrada e Patisserie Le Vin na sobremesa. Para acompanhar, a opção inclui uma taça do rosé Le Hauts (2011). Vale lembrar que o vinho rosé é uma das maravilhas do Sul da França. No Brasil, foi renegado e rotulado como ruim por muito tempo, porque por aqui só chegavam rótulos duvidosos, mas agora  vem ganhando cada vez mais espaço no paladar dos paulistanos e nas cartas mais nobres. Perfeito para os dias quentes, vai bem geladinho e tem a versatilidade de acompanhar carnes brancas ou vermelhas. Em agosto deste ano, tive o privilégio de conhecer alguns dos vilarejos mais bonitos do Sul da França. Se eu fechar os olhos agora, posso sentir o cheiro da lavanda,  o gosto dos rosés da Provence (da região de Côte du Rhone), o sabor único dos queijos,  pães, azeites, azeitonas e da carne de cordeiro mais gostosa que já provei. Só de lembrar dá água na boca! Para saber mais sobre o festival, as degustações de vinhos e os restaurantes participantes, acesse: http://www.festival-suddefrance.com

I love coxinha

25 jul

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Pense numa noite gélida de chuva –por acaso, a de terça-feira passada em São Paulo. Sair de casa? Será? Além do mais era uma noite crucial  na trama de Avenida Brasil,  perto da “grande virada” do enredo das nove. Quando tudo diz para eu não sair, às vezes me dá uma vontade do contra e, em boa companhia (fundamental para a resolução!), resolvi dar um pulo no Itaim. Por um excelente motivo: provar a famosa coxinha creme da Mercearia São Roque. No casarão de esquina, na rua Amauri, funcionou uma vendinha dos anos  50 aos 90. Hoje, o lugar é um resto-bar aconchegante, com toalhas xadrezinhas e petiscos fumegantes. Mesmo com frio, o choppinho desceu redondo, seguido de uma caipivodka de lichia sensacional, na medida, para esquentar. Até que as coxinhas chegaram, em porção, crocantes e cremosas. Duvido que a Nina da novela faria igual! Pratos como bife à parmegiana, escalopinho de filé mignon e carne seca desfiada com quibebe e farofa também me pareceram ótimas pedidas no menu, um tanto confuso feito trama de novela, por ter muitas páginas. No dia seguinte, soube de cada detalhe do que rolou com Nina e Carminha, mas não perdi a coxinha! Ficou com água na boca? vai lá: www.merceariasaoroque.com.br

O dry martini perfeito

25 jun

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Uma piada diz que, se você estiver perdido na floresta, basta começar a preparar um dry martini –logo vai aparecer alguém para dizer que você está fazendo errado e mostrar a maneira certa. É que os aficionados pelo drink costumam conhecer a receita e conseguem identificar, ao primeiro gole, o dry martini perfeito. Para saber se um barman é bom, por exemplo, basta pedir este clássico. Se ele acertar, todos os coquetéis da carta estão salvos. Porque um dry martini não pode ser mais ou menos –o gim tem de ser inglês (gosto do Tanqueray), o vermute não deve ultrapassar uma gota. Se estiver aguado é pecado, mas deve ser servido super gelado. O cineasta Luis Buñuel, em sua autobiografia “Meu Último Suspiro” (Ed. Nova Fronteira), ensina a melhor receita de dry martini que já experimentei. Lendo o livro descobri a bebida, mas só provei o drink anos depois, de férias, em Paraty. Foi amor ao primeiro gole. É o único drink que não me dá sono. Logo me tornei, modéstia à parte, expert no assunto, iniciando várias amigas nas delícias do gim. Em seu livro, Buñuel fala do poder do dry martini em “ativar a imaginação”. Também é o favorito de James Bond. Trata-se de um drink simples, mas daquele tipo de simplicidade sofisticada, difícil de acertar. Há quem invente em cima da receita original, até dry martini cor-de-rosa já bebi por aí, mas o clássico é o cristalino, com uma azeitona linda no fundo da taça e nada mais. Segue aqui a receita do genial Buñuel, tal e qual ele conta no livro:

Dry martini

“O dry martini é provavelmente uma invenção americana. Compõe-se essencialmente de gim e algumas notas de vermute, de preferência de Noilly Prat. Os verdadeiros aficionados, que gostam de seu martini muito seco, chegavam ao ponto de sustentar que bastava simplesmente que um raio de sol atravessasse uma garrafa de Noilly Prat antes de atingir o copo de gim. Mas isso me parece um pouco excessivo. Outra recomendação: é preciso que o gelo utilizado esteja totalmente congelado, muito duro, para que não solte água. Nada pior que um martini aguado. Permitam aqui que dê minha receita pessoal, fruto de uma longa experiência, com a qual sempre obtive grande sucesso.

No dia anterior à vinda de meus convidados, coloco na geladeira tudo que é necessário: os copos, o gim, a coqueteleira. Tenho um termômetro que me permite verificar se o gelo está numa temperatura de mais ou menos vinte graus abaixo de zero. No dia seguinte, quando meus amigos já estão presentes, pego tudo que me é necessário. No gelo bem duro derramo primeiro algumas gotas de Noilly Prat e meia colher de café de angustura. Sacudo tudo e depois esvazio. Só conservo o gelo, que mantém vestígios muito leves dos dois perfumes, e derramo gim puro sobre esse gelo. Bato ainda um pouco e sirvo. Isso é tudo, não há nada mais além disso.”

Há quem prefira, em vez de usar a coqueteleira, apenas mexer a bebida em um copo longo com o gelo. Eu gosto de chacoalhar. “Algumas gostas de vermute”, na minha interpretação, são duas. Mínimas. Buñuel também não fala da azeitona, mas ela é essencial (sem palito, plis!). Entre os crimes que se pode cometer ao preparar um dry martini, não vale usar gim nacional, exagerar no vermute, colocar palitinho na azeitona (ficou demodè), ou pior, palitinho de plástico (um horror!), e o que mais?

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